Soberania de Deus ou Reino de Deus, era uma palavra- chave que abria as portas a todas as esperanças israelitas.
A literatura que chamamos deuteronomista tratou-se de uma era da mais profunda crise para Israel. Inicialmente trabalharam no templo e na corte real de Jerusalém. E mais tarde, prosseguiram trabalhando no exílio em terras da babilônia. O profeta Jeremias lhe era próximo.
O significado e alcance do pensamento deuteronomista percebem- se também no Novo Testamento na dialética paulina da Lei e Graça, sua doutrina da justiça de Deus... Jesus também usou desse pensamento, apela para o “seguimento” e “amor”.
Na teologia deuteronomista, trata-se tematicamente da soberania. Consegue de tal forma sistematizar o processo, que chega a considerar o tempo da introdução da realeza como o tempo do reinado ou realeza de Deus sobre Israel.
Sempre que Israel se esquivou ao reinado de seu Deus, vieram as trevas. Os teólogos deuteronomistas consideraram a exigência de um rei humano como rompimento com a sujeição à soberania e reinado de Deus. Elaboram uma fórmula que conciliava a soberania de Deus com a soberania humana.
A penúria os levou ao Egito, tornaram-se “estrangeiros residentes” não gozavam de cidadania plena, e pouco a pouco tornaram escravos. Foi dessa situação que Iahweh, o seu Deus, os “retirou”, restituiu-lhes o direito antigo. Levando-os “para este lugar santo” Jerusalém. Nessa terra, somente estão sujeitos a Iahweh. E devem segui-lo somente. E tê-lo , como senhor.
Esse domínio de Iahweh, não é escravatura e exploração, mas dom de vida boa. Ele não oprime mas liberta. Israel, pelo contrário, fez do amor novamente aquilo que era original. Nisso constitui o empreendimento dos teólogos deuteronomistas. Iahweh é único. Eis uma linguagem de amor.
“Iahweh ama o estrangeiro, portanto, amareis o estrangeiro, porque fostes estrangeiro no Egito.” Dt 10.18 Está aí como Israel deve se comportar perante os outros membros.
Na pregação de Jesus, ao proclamar a soberania de Deus, deixa bem claro que devem abandonar tudo que os escraviza e domina. Conclamando-os a que o sigam. A soberania, o senhorio ou Reinado de Deus, que Jesus oferece é contrário da dominação humana.
CONCLUSÃO:
“A Teologia influenciada pela retribuição é norteada pela barganha. Quanto mais DOU, mais TENHO, quanto mais FAÇO, mais POSSUO. Desta forma, fica difícil enxergar a atuação da graça de Deus se movimentando na história da humanidade. Deus não está preso em um esquema de retribuição” Felinto Faria Neto
O texto de Deuteronômio 28 mostra-nos as bênçãos e/ou as maldições de Yahweh que virão sobre aquele que praticam ou não as suas leis.
De fato o texto é base para judeus de várias épocas. E essa Teologia foi defendida pelos sacerdotes de Israel em seus pronunciamentos e criticada por sábios do antigo Israel.
... Todavia, se não obedeceres à voz de Yahweh, teu Deus, cuidando de pôr em prática TODOS os teus mandamentos e estatutos que hoje te ordeno, todas essas maldições virão sobre ti e te atingirão...” Deuteronômio 28,15.
Esse texto muitas vezes foi usado para julgar pessoas e taxá-las como pecadoras, ou impuras, somente por estarem sofrendo de/por alguma enfermidade.
Se uma pessoa estivesse doente por qualquer causa isso era sinal de que ela não cumpriu a lei e por isso Yahweh está castigando-a.
Mas, se você cumprir a lei... As bênçãos de Yahweh virão sobre você e “sereis benditos no campo a na cidade” Deuteronômio 28.3
“Quem faz o bem, tanto a Deus, quanto ao próximo, será contemplado com todas as bênçãos”.
Muitos “pobres” foram oprimidos por causa deste discurso, pessoas, que tinham pouco grau de instrução, facilmente, eram infectadas em Israel e as autoridades judaicas designava-os como impuros, pecadores.
Hoje, existem duas correntes ideológicas que lembram essa teologia, não com tanta forma como a da retribuição na sociedade judaica.
Uma delas é a que diz: - Se você está em pecado o seu corpo sofre com doenças, ou seja, a doença é o reflexo do pecado na vida das pessoas.
A outra, é a Teologia da Prosperidade que na verdade tirou a obediência às leis e estatutos de Yahweh e começou a dizer que se você fizer votos, pactos, acordos, com ele, ele te retribuirá.
A primeira está ligada a Deuteronômio 28.22 e a segunda a Deuteronômio 28,3.
Devemos desmascarar estas “falsas” teologias que nos cercam e temos que mostrar que Yahweh é SOBERANO.
Assim como os teólogos deuteronomistas tentavam conciliar a soberania de Deus com a soberania humana, vemos hoje certas teologias sendo lançadas para acomodar os desejos de dominação religiosa em nome de Deus. O que se impõe na verdade é o domínio do homem que não se sujeita à soberania de Deus. A “releitura” das leis pelos teólogos da época intencionava não ver os erros da mesma, mas dar as mesmas sentido humano.
Entretanto esse “sentido humano” pesou sobre o povo. O termo “amor” do oriente antigo significava também estar “subjugado” .Quando Jesus, conclama os homens a tudo abandonar, segui-lo e amar uns aos outros.
Devemos temer apenas um domínio, o dos homens. A soberania e o domínio que Jesus oferece, é totalmente contrária essa dominação humana. O seu Reino é de amor e liberdade. O soberano humano jamais pode oferecer o amor de Deus. O amor incondicional!!
Por Valéria Dias.

Nenhum comentário:
Postar um comentário